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Mudar para manter

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23.02.2026

Uma segunda versão do F. C. Porto procurou encontrar-se em campo, fazendo-se equipa em competição, num jogo em que se antecipavam as maiores dificuldades (tendo até em conta a forma férrea como o Nacional disputou os seus jogos contra Benfica e Sporting e o jogo competente que fez no Dragão). A lesão grave de Samu convocou Farioli a encontrar uma nova forma de chegar à baliza, esquecendo a alternativa que o espanhol oferecia enquanto pivot ofensivo na saída para o ataque. Perante a exibição apagada de Gabri Veiga e Borja Sainz frente ao Sporting, as escolhas recaíram em Rodrigo Mora e Pietuzevski, com o segundo a dar bem mais ao jogo do que o português. Esta não era uma tarde para Mora que, desde o primeiro minuto, não conseguiu escapar à marcação e nunca conseguiu um passe ou um movimento de desequilíbrio que o caracterize como promessa de génio. Foi sobretudo na paciência e não no rasgo que o F. C. Porto construiu uma primeira parte de poucas certezas quanto à sua versão 2.0. Mesmo mudando os protagonistas, nada havia mudado significativamente.

O futebol prático e de segurança máxima será, porventura, aquilo que mais será recordado do F. C. Porto de Farioli nesta época. A postura mais vertiginosa do primeiro quarto de época deu lugar a um realismo que por vezes parece desnecessário e se confunde com incapacidade. Escolher jogar sem um ponta de lança fixo para ganhar maior domínio e superioridade numérica no meio-campo não é um facto decorrente da perda de Samu: mesmo jogando, já Farioli o havia retirado da zona de contundência da grande área, fazendo-o evoluir como jogador mas regredir como agitador de defesas. Agora com Gul, o F. C. Porto terá que encontrar novas formas de ferir o adversário, apostando mais na liberdade dos criativos. Os lances de bola parada são fundamentais desbloqueadores de jogo, mas não podem ser o cunho principal de um campeão.

*Adepto do F. C. Porto

O autor escreve segundo a antiga ortografia


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