A triste geografia da empatia
Há cenas que não se esquecem, quando o silêncio grita mais alto do que qualquer palavra. Foi o que aconteceu no passado mês de junho, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, quando Ilana Gritzewsky, refém do Hamas durante 55 dias, com o corpo ainda marcado pelo massacre de 7 de outubro de 2023, enfrentou e desafiou Reem Alsalem, a relatora especial para a violência contra mulheres.
A revolta de Ilana e a forma como a explicou não pode deixar ninguém indiferente, e se deixa, algo está muito mal naquilo que acreditamos ser a condição humana. A sobrevivente fez e repetiu uma pergunta que o Mundo inteiro ouviu. Com a voz firme, contou como foi agredida e mutilada, e como regressou do cativeiro com a anca e o maxilar partidos. Olhou para a Reem Alsalem e perguntou: "O seu relatório fala de violência contra mulheres. Porque não há menção ao Hamas?" A relatora especial escolheu o silêncio e a negação. Ilana apenas pediu o que qualquer vítima pede quando se sente ignorada:........
