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Trump não fala por mim

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20.03.2026

Donald Trump não fala por mim. Provavelmente, também não fala por si, nem por outros tantos. Não o verbalizamos porque, na verdade, sentimos e sabemos que dizê-lo ou escrevê-lo não muda nada. Mesmo quando temos de abastecer a viatura ou quando pagamos a conta do hipermercado, percebemos, outra vez, que o Mundo lá fora tem impacto direto na nossa vida cá dentro.

É, portanto, natural, que o "não" de Pedro Sánchez a Donald Trump tenha sido tão elogiado em Espanha e noutros países. A nega ao presidente norte-americano não é apenas uma demonstração de independência internacional ou a recusa declarada em prestar vassalagem a um "bully". A recusa de Sánchez traduziu algo que muitos cidadãos sentem, mas que não veem refletido na ação dos seus governos. Há quem fale em nome dos países, mas não necessariamente em nome das pessoas. O primeiro-ministro espanhol fê-lo. E se a Europa parece, agora, mais antiguerra, é também graças ao aplauso, sem fronteiras, à posição de Sánchez.

Um desses elogios chegou curiosamente do outro lado do Atlântico. Veio de gente comum. "Prezado Sánchez, aplaudo a sua posição em relação à agressão ilegal e imoral de Trump no Médio Oriente. Hoje em dia, poucas pessoas demonstram a sua inteligência e coragem. Saiba que Trump não fala por mim", escreveu uma habitante da Califórnia numa carta manuscrita dirigida ao chefe do Executivo espanhol.

A coragem de Sánchez em dizer "não" transforma a sensação de impotência em esperança, nem que seja numa Europa que não se humilhe perante as ameaças de um aliado. Por isso, faz todo o sentido o agradecimento da autora da carta a Sánchez: "Obrigada por fazer a coisa certa".


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