A procissão do crude vai no adro
Os 15 pontos de um alegado plano para a paz elaborado pelos EUA para convencer o Irão a parar soam a manobra de diversão. O presidente dos EUA continua a falar de negociações, mas ergueu uma cortina de fumo tão alta que não se sabe se e com quem fala Washington quando os líderes de Teerão negam a existência de qualquer avanço diplomático. O plano é uma cópia de projetos elaborados pela Casa Branca que redundaram em fracasso porque o regime islâmico os vê como ultimatos, sem margem para cedências. Aos líderes iranianos mortos no último mês, sucederam-se novos dirigentes, colados a uma linha ainda mais dura do regime teocrático xiita. Minutos depois de os EUA terem prolongado uma trégua circunscrita às infraestruturas energéticas do país árabe, Israel lançou mísseis, numa clara mensagem de que, do seu lado, a procissão ainda vai no adro. Sem dúvidas sobre a necessidade de combater o tenebroso regime dos aiatolas, preocupa a impreparação da ação concertada pela dupla EUA/Israel, quando há guinadas abruptas, nomeadamente pela pressão das petromonarquias. Acrescem ainda factos que, obviamente, são meras coincidências. Quinze minutos antes de Trump prolongar a "trégua" por cinco dias, nuns curtos dois minutos, houve apostas milionárias no mercado de matérias-primas. Fecharam-se acordos para seis milhões de futuros de crude, quando o normal num período semelhante seriam 700 mil. Assim que o presidente dos EUA anunciou a pausa, o crude caiu 10%. Houve muitas pessoas a ganhar dinheiro, mas não se sabem quem são, ou se têm alguma ligação ao republicano. E, se nesta parte do mundo, a vida já começa a apertar para muitas famílias, a leste, a vida está a tornar-se um desafio ainda maior à própria sobrevivência. Se a guerra acabasse hoje, o mercado petrolífero precisava de meses para estabilizar, com tudo o que isso nos custa a todos.
