Nova SBE: não podemos ser o que não somos
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A autonomia universitária é, desde a sua génese, um dos pilares do ensino superior moderno. Tradicionalmente, este conceito é associado à independência das instituições face à tutela do Estado e ao poder político, assumindo-se como a garantia da liberdade académica, científica e pedagógica. Contudo, as profundas reformas nos modelos de governação das universidades nas últimas décadas trouxeram à luz uma segunda dimensão, tão ou mais relevante, mas frequentemente silenciada: a autonomia interna das escolas e faculdades (as chamadas unidades orgânicas) no seio das suas próprias universidades.
A conquista de maior autonomia para as universidades, enquanto macroestrutura, resultou, paradoxalmente, numa perda expressiva de autonomia das suas unidades orgânicas, na base. Este conflito entre o topo e a base gera hoje um dos maiores bloqueios competitivos nos ecossistemas académicos europeus, obrigando-nos a olhar para a diferença abissal entre a anterior independência orgânica e o atual centralismo administrativo.
Em vários países, as reformas legais (como foi o caso da passagem de várias instituições portuguesas a fundações públicas de direito privado) tiveram como propósito libertar as universidades das amarras da burocracia estatal. O objetivo era nobre: dotar as instituições de agilidade na contratação, na captação de receitas e na gestão patrimonial. No........
