Já não lemos
Já não lemos.
Não no sentido literal. Ainda compramos livros, ainda os exibimos em fotografias, ainda os pousamos na mesa de cabeceira, ainda comparamos livros comprados e livros lidos. Mas já não lemos como quem procura fricção. Lemos como quem se distrai.
Antes disso, começámos a achar os livros difíceis cansativos. “Muito pesados”, dizíamos. “Muito políticos”, comentávamos. Preferimos histórias rápidas, com vilões claros, heróis incontestáveis e finais confortáveis. A ambiguidade passou a ser um incómodo, não um exercício.
Antes disso, deixámos........
