Timor no coração... e um crocodilo à espreita
Como quase todos os portugueses da minha geração, cresci com Timor-Leste no coração. A causa timorense unia toda a gente da esquerda à direita, católicos, comunistas e até pessoas que normalmente só se indignavam com arbitragens contra o Benfica. Havia também um sentimento colectivo de culpa pela forma como Portugal abandonou Timor após o 25 de Abril.
Enquanto o país mergulhava no PREC, Lisboa esqueceu o território. O governador Lemos Pires dispunha de um pequeno contingente de oficiais e sargentos portugueses, mas os soldados eram forças locais timorenses, divididas entre simpatizantes da UDT e FRETILIN. Lemos Pires percebeu que não tinha meios reais para impor autoridade portuguesa sem correr o risco de transformar os próprios militares timorenses uns contra os outros. Sem reforços enviados de Portugal, as tropas portuguesas retiraram-se para a ilha de Ataúro, deixando um vazio de poder que abriu caminho à invasão indonésia.
O que se seguiu foi uma tragédia gigantesca. Estima-se que um........
