O Líbano e a arte de viver com contradições
Ao longo da minha vida profissional trabalhei em vários países islâmicos. Líbia, Paquistão, Afeganistão e Ilhas Comores fazem parte dessa lista. Infelizmente, e apesar de ter conhecido pessoas extraordinárias em todos eles, as minhas experiências não foram particularmente felizes.
A percepção que retirei desses países foi a de sociedades profundamente conservadoras, onde o peso da religião se faz sentir em praticamente todos os aspectos da vida. Lugares onde a diferença é vista com suspeita, extremamente misóginas onde as mulheres são desprezadas e maltratadas, onde amiúde existe uma sensação latente de superioridade moral em relação aos não-muçulmanos, os famosos “infiéis”, categoria na qual nós, decadentes ocidentais, somos automaticamente incluídos.
Naturalmente, esta é uma generalização. Conheci académicos brilhantes, activistas corajosos, jornalistas independentes e pessoas genuinamente abertas e tolerantes. Mas, no meu contacto com estas sociedades, essas pessoas pareceram-me muitas vezes a excepção e não a regra.
Por isso, quando penso nos países islâmicos onde trabalhei e dos quais guardo memórias verdadeiramente........
