Bacalhau, Benfica e três esposas
Angola é um daqueles lugares que nos baralha as referências. Chegamos convencidos de que vamos encontrar algo relativamente familiar. Afinal, são quase 500 anos de história partilhada, a mesma língua, e uma série de sinais exteriores que nos piscam o olho à memória portuguesa. Entramos num restaurante e lá está bacalhau no menu. Às vezes até carne de porco à alentejana. A arquitetura de muitos edifícios lembra cidades portuguesas dos anos 60 e 70. Nos cafés discutem-se as desventuras do Benfica e do Sporting com uma paixão que faria corar muitos lisboetas. À primeira vista, sentimos que estamos num país estranhamente próximo.
Mas essa familiaridade dura pouco, porque, por baixo da superfície, as diferenças culturais são abissais.
Um dos meus motoristas chamava-se Castro. Era um homem organizado. Tinha três mulheres, cada uma numa casa contígua, todas com filhos dele (suponha-se), todas aparentemente em harmonia. O Castro tinha também uma agenda conjugal que faria inveja a qualquer gestor de........
