Divórcio: o luto invisível
Em Portugal, o divórcio nem sempre foi um direito. Após a implantação da República, em 1910, tornou-se legal, mas voltou a ser fortemente restringido durante a ditadura. Só depois de 1974 e, sobretudo, com a evolução do direito da família nas décadas seguintes, o país consolidou a possibilidade de dissolver um casamento sem culpa e por mútuo consentimento. Foram conquistas fundamentais para a autonomia das mulheres, que durante séculos ficaram presas a relações jurídicas e sociais profundamente desiguais.
Apesar desta evolução, persistem marcas culturais difíceis de apagar. Quando alguém se divorcia não regressa ao estatuto de solteiro ou solteira: passa a ser “divorciado”. A palavra permanece como um rótulo........
