Tucídides à Portuguesa: armadilha ou espelho?
Durante meio século, a democracia portuguesa assentou numa certeza confundida com o regime: PS e PSD alternavam-se no poder e os restantes orbitavam essa alternância. As legislativas de maio de 2025 quebraram-na. Pela primeira vez desde 1974, o segundo partido mais votado deixou de ser o PS ou o PSD. O Chega alcançou o segundo lugar e o estatuto de líder da oposição, à frente do PS. Mudou a geometria do poder.
Seria um erro ler a nova arquitetura como simples aritmética. O que mudou não foi o número de cadeiras, mas a estrutura da competição: o Chega não nasceu no vazio, nasceu de um espaço já ocupado. Não assistimos a uma disputa entre blocos, mas pela liderança de um deles.
O PSD dominou o campo à direita; o Chega, em ascensão, ameaça destroná-lo dessa chefia. A sua curva — 1 deputado em 2019, 12 em 2022, 60 em 2025 — instalou no centro-direita o medo de ser substituído. O resto é gramática conhecida: Passos a salvar o “original” da “cópia”;........
