O Autoritarismo tem estratégia. E a Democracia?
Há uma pergunta que as democracias raramente fazem a tempo: o que é que acontece depois? Não depois da próxima eleição. Mas depois da erosão lenta, depois da acumulação de cedências que ninguém contabilizou, depois do momento em que o regime já não é o que era, mas ainda ninguém lhe mudou o nome.
A política democrática organiza-se pelo ciclo eleitoral: reage, gere, responde. Raramente antecipa. O autoritarismo, pelo contrário, opera em horizontes longos — não porque os seus atores sejam mais capazes, mas porque não prestam contas ao escrutínio democrático. O tempo é a sua principal vantagem, e acumula-se em silêncio.
Duas tradições de pensamento estratégico procuram responder a este desequilíbrio. A prospetiva estratégica, de origem americana, identifica sinais fracos de mudança e constrói cenários alternativos, substituindo a reatividade pela antecipação. A prospetiva, de raiz europeia, foi mais longe: o futuro não é algo a prever, é algo a........
