No vazio do dia...
Ouvi dizer que o dia que passa – ou seja, hoje – é o corpo de tempo mais estranho que se conhece, mas eu bem sei que há sempre muita mentira no dizer das pessoas. A meu ver, as pessoas mentem com todas as partes da matéria e da alma, sejam opacas ou transparentes, muito antes das palavras, quando se apresentam ao mundo, que é como quem diz todos os dias. E eu também. Ou melhor, sobretudo eu. A mentira – ouvi dizer – habita-nos como se fosse o sal e as vestes da nossa vida e cada palavra é um labirinto sem fim onde nos perdemos a toda a hora.
Estava a sonhar isto e acordei.
Para dizer a verdade, todos os dias acordo muito antes de acordar, ainda durante o sonho, mesmo quando não sonho ou não me lembro do que sonhei.
Fiz dez minutos de exercício físico no quarto para estimular a circulação e preparei-me para sair. Vesti umas calças de ganga coçada e uma t-shirt preta, calcei umas botas alentejanas, daquelas........
