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O Trono é do Rei

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28.07.2026

O Brasil produziu o maior atleta de todos os tempos do esporte mais popular do planeta. E virou moda, entre brasileiros, entregar a coroa dele de graça.

Vou dizer o que precisa ser dito: isso é coisa de brasileiro bundão. É falta de orgulho nacional. A Espanha é bicampeã do mundo desde domingo, a coroação antecipada de Messi caducou diante do planeta inteiro, e ainda tem gente por aqui repetindo a heresia.

Então senta, que a aula é de graça. Depois dela, ninguém mais vai passar vergonha nesse debate.

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Há 70 anos, todo grande jogador que aparece no mundo é medido contra um homem só. A régua é Pelé. Foi assim com Johan Cruyff, com Maradona, com Ronaldo Fenômeno, com Cristiano Ronaldo e foi assim com Messi. Em 70 anos de futebol profissional, ninguém mais ganhou três Copas do Mundo. Ninguém.

O próprio Pelé, em 2012, quando perguntaram se a Espanha campeã da época ganharia do Brasil de 1970, deu a lógica definitiva: enquanto toda seleção nova for comparada ao time de 1970, é porque o de 1970 segue sendo o melhor. A comparação é o troféu. E o comparado é sempre ele.

O que os números realmente mostram

Messi é um gigante. Oito Bolas de Ouro, oito gols nesta Copa aos 39 anos. Respeito total. Agora olha o placar da história, número por número.

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Pelé estreou em Copa do Mundo aos 17 anos, em 1958. Gol nas quartas de final. Três na semifinal, contra a França de Just Fontaine, até hoje o maior artilheiro de uma única edição de Copa do Mundo, com 13 gols.

E dois na final, dentro da casa dos anfitriões suecos: o primeiro com chapéu no zagueiro e bola dominada no peito antes da finalização. Sigge Parling, o zagueiro sueco escalado para marcá-lo naquela decisão, confessou depois que, no quinto gol do Brasil, o que queria era aplaudir.

O placar da carreira: quatro Copas, três títulos, nenhuma final perdida. Pelé chegou a esta Copa, 56 anos depois de pendurar a chuteira da seleção, ainda como o líder em assistência da história dos Mundiais. E nunca fez um gol de pênalti em Copa do Mundo. Nenhum.

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Messi? Seis Copas, um título, duas finais perdidas. Até 2022, aos 35 anos, ele nunca tinha feito um gol em jogo de mata-mata de Copa do Mundo. Zero em quatro Copas. Foram 15 anos de expectativa frustrada.

Na campanha do único título, quatro dos sete gols da Argentina saíram da marca da cal. Ele precisou de 25 jogos para superar os 12 gols que Pelé marcou em 14 partidas de Copa. E jamais venceu uma final no tempo normal: o título veio nos pênaltis, depois do empate em 3 a 3 contra a França, na prorrogação.

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O Brasil da Era Pelé venceu as três finais disputadas dentro dos 90 minutos: 5 a 2 contra a Suécia, em 1958; 3 a 1 contra a Tchecoslováquia, em 1962; e 4 a 1 contra a Itália, em 1970. Nas duas finais que o próprio Rei disputou, houve goleada e gol dele. Outro fato curioso: segundo os registros da CBF, o Brasil não marcou nenhum gol de pênalti nas Copas disputadas por Pelé. Não precisou.

Duas épocas, dois mundos

E contra quem? Pelé nunca enfrentou Argélia, Egito ou Cabo Verde em uma Copa do Mundo. As Copas dele tinham 16 seleções. Elite, elite, elite, sem jogo bobo. A de hoje foi ampliada para 48 seleções, com um caminho recheado de confrontos contra equipes de menor tradição.

Nem a competição que Messi disputou é comparável à que Pelé venceu três vezes.

E o Rei mal jogou duas das quatro Copas dele. Em 1962, lesionou-se no segundo jogo e ficou em campo se arrastando, fazendo número, porque a substituição não existia. O Brasil venceu aquela Copa com Garrincha jogando a final com 39 graus de febre, eleito o melhor jogador e o artilheiro do torneio.

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Em 1966, a caçada foi explícita: Pelé saiu aos pedaços do jogo contra a Bulgária e foi abatido a faltas por Morais e Coluna contra Portugal, em uma das Copas mais violentas da história, marcada por uma CBD que convocou 46 jogadores e arrastou a seleção por cinco cidades para atender interesses de dirigentes e políticos.

Não havia cartão amarelo, cartão vermelho, substituição, quarto árbitro, câmera ou VAR. A bola era mais pesada, a medicina esportiva estava em outra era, e entradas por trás e agressões como cusparadas ficavam impunes.

Hoje, o elenco tem o dobro do tamanho, há revezamento........

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