Retomar o veículo mais rápido pode reduzir os juros do financiamento no Brasil
Durante anos, discutimos o custo do financiamento de veículos quase exclusivamente pela ótica da Selic. Ela é decisiva, claro. Mas não explica tudo.
Parte relevante dos juros cobrados do consumidor remunera um risco tipicamente brasileiro: a dificuldade de recuperar o veículo quando o contrato deixa de ser pago.
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No modelo tradicional, uma busca e apreensão pode levar de 12 a 18 meses, segundo estimativas operacionais do mercado. Nesse período, o carro continua rodando, deprecia, acumula multas, pode sofrer avarias e, em casos extremos, desaparecer ou ser desmontado.
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Quando finalmente recupera o bem, a instituição financeira encontra algo bem diferente da garantia que avaliou no momento da concessão. A perda não fica apenas com o banco. Ela entra no preço de todos os financiamentos seguintes.
O risco escondido na parcela
Todo financiamento de veículo combina quatro grandes componentes: custo de captação, despesas operacionais, impostos e risco de crédito. Dentro deste último está a chamada perda dado o inadimplemento, ou seja, quanto o credor efetivamente perde quando o cliente não paga.
O automóvel deveria reduzir essa perda porque funciona como garantia. Só que uma garantia difícil, lenta e cara de executar vale muito menos.
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Estima-se no mercado que, nos Estados Unidos, a recuperação possa alcançar aproximadamente 80% do saldo devedor em determinadas carteiras. No Brasil, depois de depreciação, pátio, localização, despesas jurídicas e revenda, o retorno líquido pode ficar perto de 35% em operações mais problemáticas.
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