NADA 2026: o recado americano para o Brasil é menos sobre volume e mais sobre composição
Na indústria automotiva, o ciclo voltou. Mas voltou diferente.
Voltei de Las Vegas com uma sensação familiar e, ao mesmo tempo, inédita. Familiar porque o mercado americano segue influenciando produto, crédito e rentabilidade. Inédita porque, desta vez, o sinal não veio do crescimento puro de vendas. Veio do desenho da demanda, da disciplina de produção e do custo de capital.
Na minha 25ª participação na Convenção da NADA – National Automobile Dealers Association, onde se reúnem concessionários dos EUA e do mundo, ouvi o economista-chefe da entidade, Patrick Manzi, descrever um mercado que parece saudável na superfície, mas que está sendo reprecificado por baixo. É justamente esse tipo de movimento que costuma chegar ao Brasil com atraso, mas com impacto.
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A mudança central nos EUA não é “quanto” se vende. É “para quem”, “com que mix” e “a que custo financeiro” se vende. A cadeia é clara. Preço médio alto empurra parte da demanda para usados. Juros ainda elevados comprimem acessibilidade. Prazo de financiamento alonga para caber no bolso. Montadora segura produção para preservar margem e evitar excesso de estoque. Concessionária volta a depender de incentivo para girar marcas com days supply mais alto.
Em outras palavras, o setor saiu do choque de oferta da pandemia e entrou numa fase de gestão fina de margem e risco. O ponto-chave é que essa gestão ocorre com um consumidor mais seletivo e menos elástico a preço.
A apresentação trouxe números objetivos que ajudam a entender o........
