A nova matemática dos direitos esportivos
Entre 2014 e 2024, as 10 principais propriedades esportivas elevaram o valor global de seus direitos de mídia em 113%, de aproximadamente US$ 15 bilhões para US$ 32 bilhões. No mesmo período, as 20 propriedades seguintes cresceram de cerca de US$ 5 bilhões para US$ 7 bilhões, avanço de 40%.
Os dados, divulgados pelo Boston Consulting Group no início do mês, mostram que o valor se concentra cada vez mais em um grupo restrito de ligas e competições com alcance global. As líderes cresceram quase três vezes mais rápido e hoje valem, juntas, quatro vezes o bloco seguinte.
Os números sustentam a tese de Michael Broughton sobre o estado da mídia esportiva. A análise que ele fez no início do ano partia de um contexto específico: a queda da TV a cabo, o colapso dos canais esportivos regionais e o futuro incerto da Warner Bros em meio à disputa por Netflix e Paramount.
Continua depois da publicidade
Na visão de Broughton, o corte de cabos nunca foi o vilão secreto. Relatórios já mostravam o movimento em 2014, lembra o analista. O verdadeiro problema era outro: a crença de que seria possível executar uma estratégia clássica de desalavancagem em um ativo cuja receita encolhia lentamente enquanto o custo dos direitos continuava a inflar.
É nesse ambiente de custos crescentes e receitas tradicionais em queda que os novos números da Ampere Analysis ganham relevância. Divulgados em 2 de fevereiro, os dados mostram o avanço das plataformas de streaming sobre o território antes dominado pelas emissoras lineares, e escancaram uma assimetria que pode redefinir o poder de negociação daqui para frente.
Os players de streaming devem gastar US$ 14,2 bilhões em direitos esportivos em 2026, alta de 7% sobre os........
