menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Quem tem medo das igrejas nas eleições?

11 0
yesterday

O Brasil se aproxima de mais um ciclo eleitoral e, como ocorre a cada eleição, uma pergunta volta a aparecer no debate público: qual é o lugar das igrejas na vida política nacional?

A pergunta é legítima. A resposta, no entanto, costuma ser pobre ou violadora de direitos humanos, como quando tentaram criar um tal “abuso do poder religioso” que nunca existiu. De um lado, há quem defenda que qualquer manifestação religiosa sobre temas públicos seja uma violação do Estado laico; de outro, também há quem deseje transformar igrejas em comitês eleitorais. Ambos erram, exatamente por não compreenderem a laicidade estatal.

É justamente nesse ponto que a conferência “Igrejas e Eleições 2026”, promovida pelo Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), ganha relevância. A conferência será realizada em 5 de agosto, às 19 horas, em formato on-line (você pode se inscrever aqui), e pretende tratar de um tema tão sensível quanto necessário: como igrejas, líderes religiosos e pessoas religiosas em geral podem se posicionar no período eleitoral, sem violar a laicidade brasileira. Essa discussão é urgente porque o Brasil ainda confunde laicidade com silenciamento religioso.

O Estado brasileiro é laico, mas não é laicista ou antirreligioso. A Constituição brasileira não expulsou a religião da vida pública. Ao contrário, protegeu a liberdade de crença, de culto, de organização religiosa, de expressão, de associação e de participação política. A laicidade brasileira não é hostil à religião; é colaborativa. Ela não estabelece uma religião oficial, não submete o Estado a uma igreja e não permite que o poder público imponha doutrinas religiosas aos cidadãos. Mas também não autoriza que o Estado trate a fé como inconveniente privado, algo que só poderia existir dentro dos templos e em silêncio.

É falso dizer que igrejas não podem falar sobre eleições. Igrejas podem, sim, tratar de temas morais, sociais, jurídicos e políticos

É falso dizer que igrejas não podem falar sobre eleições. Igrejas podem, sim, tratar de temas morais, sociais, jurídicos e políticos

A religião tem dimensão pública porque a pessoa humana tem dimensão pública. Quem crê não deixa sua consciência na porta da igreja, da escola, do tribunal, do parlamento ou da urna. O cidadão religioso não se torna menos cidadão por ser religioso. Tampouco sua convicção se torna ilegítima apenas porque nasce de uma fé.

Por isso, é falso dizer que igrejas não podem falar sobre........

© Gazeta do Povo