A fé cristã entra na campanha antes mesmo de a propaganda começar
No próximo domingo, 16 de agosto, começa oficialmente a propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet. Antes mesmo que os jingles, santinhos, vídeos, promessas e slogans tomem conta do país, uma pergunta já está posta no centro do debate público brasileiro: qual será o lugar da religião nas eleições de 2026? A pergunta é inevitável. O Brasil é um país profundamente religioso. Suas igrejas, comunidades de fé, lideranças espirituais e cidadãos crentes participam da vida nacional muito antes de qualquer campanha começar. Estão nos bairros, nas periferias, nas pequenas e nas grandes cidades, nas universidades, nos presídios, nos hospitais, nas comunidades terapêuticas, nos movimentos de assistência social e, naturalmente, também estarão diante das urnas.
Ainda assim, a cada ciclo eleitoral, ressurge a velha tentativa de tratar a presença religiosa na política como um problema a ser contido, um abuso a ser rechaçado, especialmente se essa fé é a cristã. Se uma liderança religiosa fala sobre vida, família, liberdade, educação, justiça, pobreza, corrupção ou dignidade humana, logo aparece alguém disposto a dizer que isso ameaça o Estado laico. Como se a laicidade exigisse silêncio religioso. Como se o cidadão religioso tivesse menos direito de participar da democracia do que o militante ideológico, o artista engajado sustentado pelo Estado pro meio das Rouanets da vida, o empresário, o sindicalista, o professor universitário ou o comunicador digital.
Porém, como já falamos dezenas de vezes nesta coluna e nunca nos cansamos de repetir, o Estado brasileiro é laico, mas não é laicista. A Constituição brasileira não expulsou Deus, a religião ou as comunidades de fé da vida pública. Ela separou institucionalmente Estado e religião, mas protegeu a entusiasticamente a liberdade de crença, de culto, de organização religiosa, de assistência, de ensino religioso, de expressão religiosa, de associação e de participação política. Em outras palavras: o Estado não tem religião oficial, mas o povo brasileiro tem religião, e esse povo não perde cidadania quando leva sua consciência para a arena pública.
Por isso, a pergunta séria não é se as igrejas podem falar sobre eleições. Podem. A questão verdadeira é em que termos essa participação deve ocorrer. Igrejas podem formar consciência, orientar moralmente seus fiéis e discutir os grandes temas públicos do país, sem que isso transforme o culto em comício ou a liderança espiritual em instrumento partidário. O que a laicidade exige não é silêncio religioso, mas responsabilidade, liberdade e respeito à ordem constitucional. Esse é um dos grandes temas de 2026.
Quando uma pessoa defende uma pauta a partir de uma ideologia secular, chamam isso de consciência crítica. Quando defende uma posição a partir da fé cristã, muitos chamam de fundamentalismo
Quando uma pessoa defende uma pauta a partir de uma ideologia secular, chamam isso de consciência crítica. Quando defende uma posição a partir da fé cristã, muitos chamam de fundamentalismo
E é nesse contexto que o lançamento do 7.º Congresso Brasileiro de Direito Religioso, promovido pelo Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), chega em momento muito oportuno. O evento ocorrerá nos dias 26 e........
