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As tecnologias e os jovens

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08.03.2026

Já falamos longamente sobre os problemas do uso das tecnologias contemporâneas, e não só aqui nesta coluna, mas o tema vem se fazendo presente em cada vez mais discussões. Não era para menos: é preciso analisar o caso com seriedade, discutir o assunto e promover atitudes verdadeiramente efetivas, para preservar a nossa saúde, em todos os seus aspectos. Já é informação de domínio público que os celulares, tablets, videogames e, especialmente, os aplicativos de rede social, tenham sobre nosso cérebro um sério efeito deletério, semelhante aos de um vício em drogas. E isso tem consequências emocionais, de relacionamento, de desenvolvimento pessoal e acadêmico, e enfim, vital e espiritual. Literalmente, perde-se a vida nas redes sociais.

E quem já leu outros artigos meus neste veículo, ou quem acompanha meu trabalho nos demais meios, sabe quanto eu me empenho em frisar a necessidade de se afastar especialmente as crianças dessas interações. Se os adultos viciam-se e se perdem com a cara enfiada em seus smartphones, que diremos das crianças, que ainda nem tiveram seu sistema nervoso inteiramente desenvolvimento, tampouco seu “sistema espiritual”, quero dizer, que ainda não têm treinada sua força de vontade, a clareza de seus valores, a força autônoma da consciência? Remeto com atenção especial a texto de quatro anos atrás, “A gula da imaginação”.

Simplesmente, esses vícios são antagônicos à educação. Não surpreende que os magnatas das empresas de tecnologia deem a seus filhos tão somente os bons e velhos livros de papel (como foi flagrado já tantas vezes), e que alguns países já estejam notando o problemão que criaram e voltando para a escola simples com papel e lápis, como a Suécia, por exemplo.

Meu tema hoje, porém, é uma necessária nuance a essa discussão. Sem rodeios, os termos são os seguintes: viveremos, então, como os amish, sem nenhum contato com as tecnologias e isolados? Além de praticamente impossível, seria igualmente tolo e empobrecedor. Escuso-me de listar as maravilhas e as facilidades das novas tecnologias, e as benesses que podemos empreender com elas – entre as quais está o meu próprio trabalho, evidentemente. Logo, nossos filhos, em algum momento, terão contato com esses aparelhos e dinâmicas; nós não os privaremos disso para sempre. É algo semelhante, digamos, ao álcool: até mesmo adultos se perdem na bebida, e ela pode configurar um vício devastador. Entretanto, é um prazer lícito aos adultos quando moderado pela razão. Às crianças, seu uso é inteiramente vetado. E quando o jovem se torna adulto, quando pode ser-lhe permitido provar uma coisa “de adultos”? Que preparo é preciso ter sido feito, que educação é preciso ter sido dada a ele para que aprecie os prazeres lícitos da maturidade com verdadeira maturidade, e sem se perder? Eis aqui nosso problema com relação também às telas.

Nossos filhos, em algum momento, terão contato com esses aparelhos e dinâmicas; nós não os privaremos disso para sempre

Nossos filhos, em algum momento, terão contato com esses aparelhos e dinâmicas; nós não os privaremos disso para sempre

Os filhos crescem. A infância vai cedendo lugar à “pré-adolescência” e, pouco a pouco, à adolescência de fato. Quando atingem 14 ou 15 anos, a relação com essa problemática se altera. A tecnologia não é mais somente um elemento externo do qual se pode manter distância: ela está profundamente integrada à vida social, escolar e cultural. Então, como introduzir essas tecnologias de modo responsável? A questão não se reduz a “permitir ou proibir”. Trata-se de compreender que a adolescência traz consigo uma nova etapa da formação: a passagem gradual da proteção direta para o exercício da responsabilidade.

Quando os adolescentes........

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