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O Brasil real é muito menos polarizado do que imaginamos

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27.05.2026

“Vivemos o momento de maior polarização da história”, diz-se nos quatro cantos do país, refletindo uma percepção que se equivoca quanto ao presente e também quanto ao passado.

Em 13 de agosto de 1894, um soldado subiu as escadarias do Palácio de Barro, então sede do governo do Rio Grande do Sul, levando uma caixa de chapéu em suas mãos. A caixa, que seria entregue ao presidente (como se chamava à época o governador) do estado, Júlio de Castilhos, continha nada mais, nada menos que a cabeça de Gumercindo Saraiva, seu maior opositor político.

Eram os dias da Revolução Federalista no sul do Brasil. Depois daquela, lutou-se uma guerra em 1823, e outra em 1824 – eu escrevo do Rio Grande do Sul, onde os conflitos deixaram profundas marcas na memória coletiva. Em 1930, um golpe de Estado levantou o Brasil em armas. Em 1932, a Revolução Constitucionalista, em São Paulo, foi o mais próximo que o Brasil já esteve de uma guerra civil. Em 1962, a Campanha da Legalidade conclamou todos que dispunham de armas a levantarem-se contra o Congresso para impor a posse de João Goulart.

Hoje, nos xingamos no X (o velho Twitter). Os fatos não parecem confirmar a hipótese de nunca termos experimentado uma radicalização política tão exacerbada. O passado foi muito mais polarizado do que pode supor quem não o estudou.

O passado foi muito mais polarizado do que pode supor quem não o estudou

O passado foi muito mais polarizado do que pode supor quem não o estudou

O presente, ademais, também não é como pensam os defensores da tese da “maior polarização da história”.

As manchetes dos jornais, os programas políticos, os comentários televisivos e, principalmente, as redes sociais transmitem a sensação de que o Brasil está........

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