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Estar “do lado certo” ou estar certo?

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27.05.2026

“Aqueles que são mais afetados por uma visão em particular podem ser os que têm menos consciência de seus pressupostos fundamentais – ou os menos interessados em parar para examinar essas questões teóricas quando há questões urgentes de ordem ʻpráticaʼ a serem confrontadas, cruzadas a serem empreendidas, ou valores a serem defendidos a qualquer preço.” (Thomas Sowell)

Confesso que às vezes fico cansado. Parte considerável de meu trabalho, há mais de 20 anos, é plantar o dissenso, fazer um contraponto a teses estabelecidas sobretudo em grupos ideológicos, que fazem leituras da realidade a partir não dela própria, mas de abstrações acadêmicas, criadas nos departamentos de Ciências Humanas universitários. E isso cansa, pois aqueles que amparam sua visão de mundo em grupos sentem que estão do lado certo, e os argumentos, a razão, são o que menos importa.

Lembro-me sempre de Chesterton, que afirmou ser o senso comum – ou o bom senso, como dizemos aqui, após o termo original ter se tornado sinônimo de opinião sem critério – sua primeira e última filosofia. Na tradição britânica, o senso comum está ligado àquelas verdades autoevidentes (a existência do mundo externo, das relações de causa e efeito, do bem e do mal etc.), que não dependem de uma filosofia muito sofisticada para serem percebidas. Os americanos herdaram essa tradição, sobretudo de Thomas Paine, político britânico e um dos Pais Fundadores dos EUA, que, em defesa da independência da colônia, em seu panfleto Senso Comum, disse coisas como: “existe algo de muito absurdo em supor que um continente deva ser perpetuamente governado por uma ilha”.

Voltando a Chesterton, este disse que a “terra ensolarada do senso comum” é o país das fadas, pois, se lermos os contos de fadas, “observar-se-á que uma ideia os atravessa de ponta a ponta – a ideia de que a paz e a felicidade só podem existir dadas determinadas condições. Essa ideia, que é o âmago da ética, é o âmago dos contos infantis. Toda a felicidade da terra encantada pende de um fio, de um único fio”. Ou seja, o senso comum é a capacidade de perceber, por exemplo, que as ideias tem consequências; que as boas intenções não são suficientes. Mas falo como um conservador.

Aqueles que amparam sua visão de mundo em grupos sentem que estão do lado certo, e os argumentos, a razão, são o que menos importa

Aqueles que amparam sua visão de mundo em grupos sentem que estão do lado certo, e os argumentos, a razão, são o que menos importa

Um dos maiores argumentos do progressismo, pelo qual angaria a simpatia de muitos, é sustentado por suas (supostas) intenções. Todo progressista parte do princípio de que há algo errado no mundo, e que esse algo é provocado por alguns, que têm poder e subjugam os demais. Esses alguns criam estruturas que sustentam o seu poder e fazem manutenção delas por estratagemas altamente maquiavélicos de exploração e opressão. Tais estruturas, que precisam ser derrubadas, vencidas, são responsáveis por todos os males da humanidade. Dentre eles, o principal é a desigualdade, pois dela derivam o racismo, a xenofobia, o patriarcado.........

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