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“Não foi incompetência, foi projeto”: cientista político diz que Estado sabotou a educação brasileira

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17.06.2026

Quando um sistema falha repetidamente, a pergunta inevitável deixa de ser “o que deu errado” e passa a ser “se isso foi proposital”. É essa suspeita, fundamentada em fatos, episódios concretos e uma vasta tradição intelectual, que o cientista político Pablo Navarro transforma em argumento no seu novo livro, O Sistema Falhou. Com endosso do deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança, a obra investiga como estruturas de poder no Brasil foram capturadas por uma visão de mundo de esquerda, com consequências que se estendem da política educacional ao ativismo judicial, passando pelo aparelhamento cultural e pela construção de narrativas que moldam a opinião pública. Num momento em que o governo Lula aprofunda sua influência sobre o Ministério da Educação e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) segue impondo métodos de alfabetização contestados pela neurociência, o livro chega como um mapa para quem quer entender os padrões por trás de crises que insistem em parecer desconexas. Navarro conversou com a coluna Entrelinhas sobre os principais argumentos da obra.

Entrelinhas: No livro, você afirma que as instituições brasileiras foram capturadas por uma determinada visão de mundo. Quais são, na sua avaliação, os principais indícios desse processo?Navarro: O principal indício é a inversão completa da relação entre o Estado e o cidadão. Teóricos marxistas e populistas, como Ernesto Laclau e Antonio Gramsci, entenderam que para controlar uma nação a classe política precisa primeiro remodelar a sociedade civil à sua imagem por meio da hegemonia cultural. Vemos isso claramente no ativismo judicial, no patrulhamento do “politicamente correto” e na unilateralidade ideológica das universidades e da grande mídia. O resultado prático é o que o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança descreve com precisão: a redução da sociedade a uma entidade meramente pagadora de impostos, sem voz ativa. É o triunfo da visão hegeliana da “razão de Estado”, que para se impor destrói a ordem social e a família tradicional. Quando isso acontece, o bom senso é sacrificado no altar da ideologia. Um exemplo contundente disso na nossa história recente foi o desfecho do caso Henry Borel, onde narrativas ideológicas muitas vezes atropelaram o mais prosaico direito à justiça e à verdade factual.Entrelinhas: Você argumenta que existe uma........

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