A escala 6×1 pode virar, na prática, escala 7×0
O governador de Tarcísio de Freitas decidiu entrar, esta semana, em um dos debates mais sensíveis do país: o fim da escala 6x1. E fez isso com uma frase que rapidamente ganhou repercussão por destoar do clima emocional que domina a discussão. “Não pode enganar o trabalhador”, afirmou, ao comentar propostas de redução da jornada semanal.
A declaração, feita durante a APAS Show, principal evento do setor supermercadista brasileiro, expôs um problema frequente no debate público nacional: a conversão de temas econômicos complexos em slogans eleitorais simplificados. Segundo Tarcísio, não basta defender mudanças trabalhistas apelando apenas para o discurso da qualidade de vida, sem discutir os efeitos reais sobre empresas, empregos, salários e informalidade.
O alerta incomodou, porque o fim da escala 6x1 se tornou uma pauta valiosa do ponto de vista eleitoral. A imagem do trabalhador exausto, preso a jornadas desgastantes e sem tempo para viver, tem enorme força simbólica. É fácil de comunicar, altamente popular e difícil de questionar publicamente sem correr o risco de ser imediatamente rotulado como “anti-trabalhador”.
E é exatamente aí que mora o perigo.
Quando reformas estruturais são conduzidas pela lógica eleitoral, o debate técnico desaparece. O governo federal percebeu o potencial político da pauta neste momento de pré-campanha, porque ela mobiliza trabalhadores urbanos, jovens empregados no setor de serviços e sindicatos.
O fim da escala 6x1 virou um símbolo........
