Trump em Pequim e o fim da ingenuidade americana
A visita de Donald Trump a Pequim tem pauta ampla: Irã, Estreito de Hormuz, tarifas, minerais estratégicos, semicondutores, propriedade intelectual, inteligência artificial, Taiwan e soberania. Não se trata mais de uma agenda comercial convencional. De um lado da mesa está a principal potência democrática do mundo e, do outro, o mais sofisticado regime autoritário de capitalismo de Estado já produzido pela humanidade.
Desde 2017, um presidente americano não pisava na China. Por sinal, antes de Trump, foi o próprio Trump, em seu primeiro mandato, que deu os ares da graça em Pequim. Desde 1949, quando o comunismo tomou conta da China, oito presidentes americanos visitaram o país asiático. O primeiro foi Richard Nixon, em 1972. Depois dele vieram Gerald Ford (1975), Ronald Reagan (1984), George H. W. Bush (1989), Bill Clinton (1998), George W. Bush (2001, 2002, 2005 e 2008), Barack Obama (2009, 2014 e 2016) e Donald Trump, agora e em 2017.
Do outro lado, líderes chineses também usaram Washington, D.C. como palco de legitimação internacional. A mais simbólica foi a de Deng Xiaoping, em 1979, recebido por Jimmy Carter. Carter não foi à China como presidente, mas foi em seu governo que as relações diplomáticas foram normalizadas, em 1º de janeiro de 1979. Poucas semanas depois, Deng visitou os Estados Unidos, encontrou Carter, participou de jantar de Estado e percorreu cidades como Atlanta, Houston, Seattle e Los Angeles. A visita marcou a reabertura formal de uma relação congelada desde a vitória comunista de 1949.
Nixon abriu as portas da relação, e Deng vendeu ao Ocidente a promessa de uma China pragmática. Desses dois momentos nasceu a grande ilusão estratégica........
