A palavra proibida na guerra contra a coca: erradicação
Há uma palavra que a diplomacia latino-americana passou a tratar como pecado: erradicação. Durante anos, governos, ONGs, organismos internacionais e boa parte da imprensa empurraram o debate para um terreno confortável, quase terapêutico. Fala-se de substituição voluntária, desenvolvimento alternativo, redução de danos, inclusão produtiva, diálogo com comunidades e respeito às tradições locais. Tudo isso é necessário. Nada disso, isoladamente, resolve o problema. O que falta dizer, com a seriedade que a realidade exige, é que a América Latina não enfrentará a indústria da cocaína sem retomar a erradicação forçada dos cultivos ilícitos de coca nos três países produtores: Colômbia, Peru e Bolívia.
A coca não é apenas uma planta. Nas zonas controladas pelo narcotráfico, ela é uma forma de soberania paralela. Onde a coca entra como economia dominante, o Estado sai como autoridade. Em seu lugar, aparecem grupos armados, cartéis, dissidências guerrilheiras, milícias locais, laboratórios, pistas clandestinas, corredores fluviais, portos capturados, redes de lavagem de dinheiro e políticos domesticados pelo medo ou pelo dinheiro.
O cultivo é o primeiro elo visível de uma cadeia que termina em homicídios, corrupção, contaminação ambiental, colapso penitenciário e desintegração institucional
O cultivo é o primeiro elo visível de uma cadeia que termina em homicídios, corrupção, contaminação ambiental, colapso penitenciário e desintegração institucional
A Colômbia é o exemplo mais claro. Sob Gustavo Petro, o país chegou aos maiores níveis históricos de cultivo de coca e produção potencial de........
