Lula ataca “interferência externa”, mas sempre abraçou seus “companheiros” lá fora
Com a campanha eleitoral ganhando tração, o presidente Lula mostra mais uma vez que, para ele e o PT, as eleições não passam de um grande teatro para a propagação das narrativas criadas pelo Planalto e pelo partido. Afinal, como disse a ex-presidente Dilma Rousseff, eles podem “fazer o diabo” para obter a vitória nas urnas.
Diante do apoio de líderes internacionais ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, como os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, além do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a narrativa da hora é posar de vítima de uma suposta interferência externa, que estaria ocorrendo ou que poderá ocorrer no pleito de outubro, em benefício da oposição.
Em meados de junho, no encerramento da reunião do G-7 na França, Lula já havia mandado um recado a Trump para que ele “não se meta nas eleições no Brasil”. Agora, aproveitando a presença de Milei na convenção que oficializou a candidatura de Flávio e a decisão do Itamaraty de negar vistos a dois funcionários do governo americano que queriam se reunir com autoridades eleitorais no país, ele retomou a ladainha, com o jeitinho “carinhoso” que encarnou após abandonar o papel do “Lulinha paz e amor”, encenado no passado recente.
“Quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo, vão apanhar (sic) muito aqui. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, declarou Lula no evento de lançamento da candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, no sábado, 25 de julho.
Como é característico de sua atuação política e do PT, de querer reescrever a história com suas narrativas, o presidente fala como se o recebimento de apoio externo por um candidato à Presidência representasse uma tentativa espúria de intervenção de forças alienígenas no pleito. Fala também como se ele mesmo e o PT não tivessem apoiado ao longo do tempo, de todas as formas possíveis, candidatos da esquerda em vários países da América Latina.
Em 2022, segundo denúncias realizadas em depoimento na Câmara dos Deputados por Mike Benz, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, houve forte interferência do governo democrata de Joe Biden nas eleições brasileiras. De acordo com Benz, a intervenção ocorreu por meio da Usaid (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional), da CIA (agência de inteligência americana) e de outras organizações, para favorecer Lula e prejudicar o ex-presidente Jair Bolsonaro no pleito.
Biden apoiou, conforme Benz, a construção de uma rede de censura contra vozes conservadoras e de direita, disfarçada de “combate à desinformação”, e aumentando de forma considerável a injeção de recursos nas chamadas agências de checagem, em sindicatos, universidades e até em grupos de comunicação, para dar suporte ao STF e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na remoção de conteúdos das........
