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Manifesto aos razoáveis

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20.12.2025

Vivemos um tempo curioso e perigosamente barulhento. Nunca se falou tanto, escreveu tanto ou se compartilhou tanto. E, paradoxalmente, nunca se disse tão pouco. Estamos todos roucos. Roucos de tanto gritar palavras de ordem, slogans vazios e frases prontas que dispensam reflexão e economizam pensamento. A polarização transformou o debate público em um campeonato de decibéis, no qual vence quem grita mais alto, não quem pensa melhor.

Este texto nasce como um manifesto. Não aos radicais nem aos militantes profissionais da indignação permanente, mas aos razoáveis. Àqueles que ainda acreditam que a civilização se sustenta mais pela força dos argumentos do que pelo volume da voz. Àqueles que não desistiram da ideia de que discordar não é destruir o outro, mas levá-lo a sério o suficiente para respeitar suas opiniões.

A civilização ocidental sempre foi fruto de um equilíbrio delicado entre três grandes heranças. De Atenas aprendemos a investigar as coisas, a perguntar antes de afirmar, a desconfiar das certezas fáceis. De Roma herdamos a razão prática, o senso de ordem, institucionalidade e soluções concretas para problemas reais. De Jerusalém recebemos a consciência moral, a noção de que nem tudo o que é possível é legítimo e nem tudo o que é eficiente é justo. Quando essas três dimensões caminham juntas, a sociedade avança. Quando se separam, a civilização adoece.

O que vemos hoje é uma ruptura profunda. Atenas foi substituída por........

© Gazeta do Povo