Caso Eduardo Bueno: negar o voto aos evangélicos é discurso de ódio
Em um vídeo recente, o jornalista Eduardo Bueno, o Peninha, afirmou, sem rodeios, que evangélicos não deveriam votar, não deveriam ter voz política e deveriam permanecer confinados ao espaço do culto, “pastando com o pastor”. A frase não veio isolada. Veio acompanhada de escárnio, de desqualificação intelectual e de uma narrativa que apresenta pessoas religiosas como incapazes de participar da democracia sem corrompê-la.
Pouco tempo antes, o mesmo comunicador havia provocado indignação nacional ao zombar da morte violenta de Charlie Kirk, tratando o episódio com sarcasmo. Os contextos são diferentes, mas o fio moral é o mesmo: quando a morte do outro vira piada e a cidadania do outro vira problema, algo se rompe no pacto civilizacional.
Ainda assim, a reação mais comum foi a de sempre: “é só uma fala”, “é o estilo”, “liberdade de expressão”. Esse reflexo automático é o verdadeiro sinal de alerta.
Durante anos, o conceito de discurso de ódio foi sendo esvaziado no debate público brasileiro. Passou a significar qualquer fala que machuca sentimentos. Qualquer desconforto virou “ódio”. O resultado foi perverso: quando surge um caso real, estrutural e perigoso, aquele que não fere apenas emoções, mas ameaça direitos, já não sabemos reconhecê-lo. Ou escolhemos não reconhecer.
É preciso dizer com clareza: discurso de ódio........
