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Racismo estrutural não é um fato

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11.03.2026

A contratação do técnico do São Paulo, Roger Machado, provocou uma avalanche de comentários sobre racismo estrutural. Como toda polêmica, isso é passageiro; o arcabouço intelectual que ela revelou, nem tanto. Refiro-me à convocação automática de uma teoria como se fosse uma evidência indiscutível.

Há uma distinção elementar, ensinada em qualquer curso introdutório de epistemologia, que o debate público insiste em ignorar: a diferença entre fato e teoria. Sem entrar muito no detalhe técnico e bizantino debate filosófico, um fato é uma ocorrência verificável, independente de quadro interpretativo. Uma teoria, por sua vez, não. Pois se trata, justamente, de um sistema de hipóteses articuladas para explicar fatos. Quem transforma uma teoria em fato está mais interessado na arte de mandar, já que fecha o debate antes do questionamento, e o faz com a aparência de quem constata o óbvio.

O racismo estrutural é uma teoria. Surgiu no âmbito da sociologia crítica americana, com raízes nos estudos pós-coloniais e no pensamento de autores como Stokely Carmichael e Charles Hamilton; sistematizou-se nas décadas seguintes, e ganhou amplitude com o movimento dos Critical Race Studies. Em síntese, a teoria postula que instituições, normas e práticas sociais podem produzir efeitos racialmente discriminatórios independentemente das intenções conscientes dos agentes envolvidos.........

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