menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O país das necrologias

8 0
thursday

Eu queria escrever sobre futebol e literatura francesa do século 18. Talvez falar de Diderot e sua paixão pelo paradoxo, ou da beleza inútil de uma tabela bem feita entre Flaco López e Vitor Roque ou o 8 a 0 do Flamengo pra cima do Vitória. Aí, a gente abre o jornal, lê o nosso editorial, e topa com a notícia do rapaz que vendia espetinhos e foi executado por não pagar o dízimo do crime. Dois tiros pelas costas, 23 anos.

O resto da história já conhecemos: o pedágio do crime subiu de R$ 400 para R$ 1 mil. Ele pagou o mesmo valor de antes. Foi promovido de comerciante a cadáver. Chama-se Alexandre Roger Lopes, mas não importa. A cada semana trocamos o nome do defunto. A regra é sempre a mesma: quem não paga pedágio para criminoso morre. O Brasil se tornou um condomínio gerido por facções. O Estado é só o síndico inútil que acha que é o dono do prédio.

E aí a gente vai olhar o estado atual do debate público: a coisa piora porque nem esquerda nem direita estão mais interessadas no Brasil.........

© Gazeta do Povo