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O que 2025 me ensinou sobre resistir em tempos de Supremocracia

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26.12.2025

Há mais de dez anos escrevo semanalmente por aqui. Tem uma coisa que se descobre quando se escreve tanto e por tanto tempo: que as coisas que parecem desconexas, no fim, formam um padrão. O dos textos escritos neste 2025 que vai se encerrando não é um padrão bonito, não. Um padrão que dói.

Quando comecei a escrever em janeiro, ainda acreditava que era possível nomear as coisas pelo que realmente são. Que, se dissesse “censura”, a censura poderia seguir calando e inibindo por aí – e seguiu fazendo –, mas não vencerá enquanto houver quem a chame pelo nome. Que, se dissesse “autoritarismo”, o autoritarismo até poderia se fingir de democracia, mas não sem espumar de raiva cheia de palavras maiúsculas e pontos de exclamação. Não fui ingênuo achando que isso traria resultados. Sou apenas teimosamente esperançoso.

Ao longo desses 12 meses, girei em torno de cinco obsessões que não consigo abandonar.

Primeira: a liberdade de expressão está morrendo e, embora muitos tentem salvá-la, ainda somos poucos. Segunda: as palavras estão sendo torturadas........

© Gazeta do Povo