Por que a criminalidade brasileira não vira tema da ficção brasileira?
No segundo dia de junho, viralizou uma cena de assalto no Real Parque, em São Paulo, contra um homem e uma mulher. Dois assaltantes descem de uma moto. Um deles, arma em punho (para que serviu a campanha do desarmamento?), pega celulares. Vai abrindo aplicativos e enfiando o celular no rosto do homem para liberar acesso. O outro, que não desce da moto, exige a bolsa da mulher. A aliança do homem também é exigida. O homem tem dificuldade em retirar a joia, o que lhe garante algumas coronhadas e chutes. A mulher também é obrigada a entregar a bolsa para o assaltante que ficou na moto. As duas vítimas da sociedade – os assaltantes, claro – saem para “tomar uma cervejinha”, segundo o filósofo social Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de testemunhas se aproximarem para tentar acalmar os assaltados, a mulher desmaia com o choque.
A cena descrita revela algo incomum na sociedade brasileira? Algo raro, estranho, um crime a ser lembrado por décadas vindouras? Não. Bem pelo contrário: é algo comum, frívolo, banal. É apenas estatística. Delegacias de polícia registram o boletim de ocorrência quase para questões sociológicas futuras. É apenas o comum do Brasil: não fique conversando na rua. Não deixe a janela do carro aberta. Esconda a aliança. Não utilize o celular se não tiver um muro de concreto ao redor de você, e se puder confiar em todos muro adentro. Aqui, sua vida pode ser trocada por uma senha e um Face ID.
Cenas de horror e flerte com a morte como esta foram tão banalizadas no Brasil que são apenas mais uma notinha de jornal, entre tantas outras notícias alarmantes sobre como nossa vida está sempre por um triz em nosso país
Cenas de horror e flerte com a morte como esta foram tão banalizadas no Brasil que são apenas mais uma notinha de jornal, entre tantas outras notícias alarmantes sobre como nossa vida está sempre por um triz em nosso país
Na Pedra de Guaratiba, na zona oeste do Rio, em fevereiro de 2024, uma mulher desmaiou durante um assalto, deixando suas duas filhas pequenas desesperadas dentro do carro. Em dezembro de 2025, uma jovem levou um soco no rosto durante um........
