A Odisseia acontece neste momento, em nossas vidas
Para meus alunos no meu Clube de Leitura, sempre alerto que literatura não é nem fantasia inconsequente nem historicismo realista. É algo muito superior: é a grande imaginação humana lidando com os limites da existência, a grandiosidade da vida que nem sempre percebemos em nosso cotidiano, nas conversas comezinhas e na banalidade de nossas preocupações apressadas. É exatamente por isso que A Odisseia é tão importante – e, com seus ciclopes, bruxas e sereias, é capaz de nos falar muito mais sobre nossas vidas em 2026 do que as notícias de hoje.
Podemos fazer um breve exercício. Um dos problemas fundamentais do mundo atual circunda os jovens – principalmente os do sexo masculino. São eles que parecem perdidos, sem rumo, torrando seu tempo em passatempos sem futuro. Mesmo quando são talentosos, sentimos neles apenas um infinito desperdício de suas faculdades.
Observando a mesma ferida aberta pelo prisma da revolução sexual, os jovens do sexo masculino demoram cada vez mais a assumir seus papéis sociais de homens – provedores, protetores, capazes de compreender a alma e o corpo femininos. É exatamente essa adolescência tardia, sem um código de conduta como o da cavalaria medieval, que é o combustível de ideologias ruins, como o feminismo.
Os jovens hoje demoram a trabalhar, estão dispersos para o estudo; até sua diversão é infrutífera – dos joguinhos e redes sociais às bets, nada do que fazem tem um caráter formativo – no máximo informativo, geralmente performativo. Muitos, inclusive, vivem de bens que não são seus, desperdiçando não apenas o dinheiro de seus pais, mas, não raro, o de pessoas alheias – ou vivendo aboletados em programas estatais, sem nenhum compromisso com a própria civilização da qual são dependentes.
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