Mau tempo para epopeias (2)
O s Estados Unidos não estão para epopeias. País-continente, a sua identidade é desde o início mitológica, dos peregrinos que fugiram dos despotismos europeus, sem serem propriamente muito tolerantes, aos pais fundadores, cavalheiros iluministas depois erigidos em semideuses. “Tornar a América de novo grande” não é uma epopeia, apenas um lamento, sendo que o movimento MAGA é disso consequência e causa, ou sintoma. Ao chamar ao seu colossal romance “O Fim dos Estados Unidos da América”, Gonçalo M. Tavares assinala um assunto sério: o desaparecimento de uma mitologia. Mas o cenário que imagina, e que exaspera, depende de uma contramitologia que, longe de ser um corpo estranho, há muito tempo faz parte da identidade americana: a guerra civil. E desde a logo a de meados de Oitocentos, o Norte contra o Sul, o esclavagismo, os direitos estaduais, o poder federal, o mundo burguês industrial ou comercial, o mundo aristocratizante e terratenente. E depois as muitas histórias nas quais se enfrentaram de novo duas Américas.
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