O crime organizado e o recrutamento da inocência
Existe uma tendência para imaginarmos o crime organizado como uma realidade distante. Associamo-lo a grandes redes internacionais, a portos movimentados, a carregamentos de droga ou a operações policiais complexas que acontecem longe do quotidiano da maioria dos cidadãos. Contudo, essa perceção está cada vez mais afastada da realidade.
Hoje, uma parte significativa da atividade das organizações criminosas desenvolve-se nos mesmos espaços digitais onde os nossos filhos estudam, comunicam e passam uma parte crescente do seu tempo. O crime organizado compreendeu algo que as instituições democráticas ainda estão a tentar acompanhar: a próxima geração encontra-se cronicamente online.
Esta é uma das conclusões mais preocupantes dos dados recentemente divulgados pela Europol. Em toda a União Europeia, as redes criminosas recorrem cada vez mais a menores para desempenharem funções que vão desde o transporte de droga e branqueamento de capitais até à prática de crimes particularmente violentos. Não falamos de casos isolados, esta é uma estratégia deliberada de recrutamento.
A dimensão económica do fenómeno ajuda a compreender a gravidade do problema. O mercado europeu da droga movimenta cerca de 31 mil milhões de euros por ano. Para proteger estes lucros e reduzir a exposição dos seus membros mais experientes, muitas organizações passaram a utilizar crianças e adolescentes como intermediários, aproveitando a sua........
