menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Fim da taxa sobre altos patrimónios: rumo a uma fiscalidade dos 'agentes inteligentes'

26 0
21.09.2026

O modelo fiscal das economias desenvolvidas continua ainda largamente assente no trabalho humano. As contribuições sociais e o imposto sobre o rendimento constituem a base do financiamento público, representando cerca de 45% do PIB na União Europeia (Eurostat, 2023).

Em França, esta arquitectura permanece central: é o trabalho que financia o essencial da protecção social, dos serviços públicos e do investimento colectivo.

Ora, uma transformação silenciosa, mas profunda, está em curso. A revolução digital e o desenvolvimento da inteligência artificial deslocam progressivamente a criação de valor para sistemas automatizados — os ‘agentes inteligentes’ — capazes de produzir, analisar, decidir e executar com uma intervenção humana reduzida. Este movimento já não se limita à indústria: atinge agora as funções intermédias e de suporte, nomeadamente jurídicas, financeiras e administrativas.

Daqui resulta uma contradição estrutural: o trabalho continua a ser a principal base tributária, ao mesmo tempo que a produtividade e a criação de valor migram para........

© Expresso