menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O novo líder do Irão e o que se segue: a formação de um regime residual

24 0
18.03.2026

O Irão não está a colapsar. Está a tornar-se mais pequeno, mais duro e mais perigoso.

O novo Líder Supremo do Irão iniciou o seu mandato com uma mensagem clara de desafio: o Estreito de Ormuz continuará a ser utilizado como instrumento de pressão contra o Ocidente. No entanto, por detrás da retórica emerge uma realidade mais consequente — a República Islâmica não está a colapsar, mas a contrair-se num sistema mais estreito, dominado pela segurança, que começa a assemelhar-se a um regime residual.

Na sua primeira declaração pública como novo Líder Supremo — apresentada por escrito e lida na televisão estatal — Mojtaba Khamenei afirmou que o fecho do Estreito de Ormuz deve continuar a ser utilizado como instrumento de pressão contra os adversários do Irão. A mensagem refletiu um regime que procura projetar firmeza enquanto absorve a perda de grande parte da sua liderança sénior e enfrenta um dos choques mais severos à sua estrutura de comando desde os primeiros anos da República Islâmica.

O discurso oferece um primeiro vislumbre do sistema que está agora a tomar forma.

A guerra em torno do Irão está a produzir uma dinâmica particularmente reveladora: a eliminação sistemática da liderança de topo. Ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel têm visado, de forma crescente, comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, estrategas militares seniores e arquitetos da rede regional de proxies — figuras outrora centrais na arquitetura estratégica do regime.

Relatos emergentes do interior do círculo dirigente sugerem que o próprio Mojtaba Khamenei terá escapado por pouco à primeira vaga de ataques que devastou as fileiras superiores do regime. Informações provenientes do complexo do líder supremo descrevem um ataque coordenado que terá provocado a morte de vários membros da sua família e do seu círculo mais próximo, evidenciando tanto a precisão como o alcance da operação. Embora tais detalhes sejam difíceis de confirmar na totalidade, apontam para uma liderança sob pressão aguda e sem precedentes — onde até o vértice do poder deixou de estar protegido do risco militar direto.

Ainda assim, a eliminação de líderes, por mais dramática que seja, não conduz necessariamente à mudança de regime no imediato. Com frequência, sistemas autoritários respondem consolidando o poder nos seus elementos de segurança mais endurecidos.

Teerão procurou agora dar a sua resposta. A Assembleia dos Peritos nomeou Mojtaba Khamenei, filho do falecido Líder Supremo Ali Khamenei, como novo líder do país. A escolha é........

© Expresso