A verdadeira negociação do Irão é consigo próprio
Depois de Teerão ter respondido à proposta diplomática do presidente Donald Trump — e de Trump ter classificado essa resposta como “totalmente inaceitável” — governos, mercados e responsáveis energéticos do Golfo à Europa voltam a confrontar-se com a mesma questão: estará a região a caminhar para uma estabilização ou para uma forma mais permanente de incerteza geopolítica?
Os preços do petróleo subiram imediatamente após a rejeição norte-americana da resposta iraniana, lembrando quão rapidamente a ambiguidade diplomática se pode transformar em pressão económica e volatilidade financeira.
Mas a questão mais importante é outra.
A diplomacia já não representa simplesmente o oposto da instabilidade. Cada vez mais, tornou-se um dos mecanismos através dos quais a própria instabilidade é gerida sem nunca ser verdadeiramente resolvida.
O verdadeiro significado do momento atual poderá residir menos na continuação das negociações e mais naquilo que o debate interno iraniano revela sobre o futuro da competição geopolítica sob condições de pressão prolongada.
A verdadeira negociação do Irão já não é apenas com Washington. É cada vez mais consigo próprio.
A República Islâmica não enfrenta esta fase a partir de uma posição de confiança estratégica. Anos de sanções económicas, pressão militar, competição regional e isolamento diplomático reduziram significativamente a margem de manobra de Teerão. Ainda assim, a história demonstra que Estados submetidos a pressão prolongada não se tornam necessariamente mais conciliatórios. Muitas vezes tornam-se mais fragmentados........
