Requiem pelo Dubai
Tem tido um lado patético a forma como tem sido feita a cobertura da “fuga dos influenciadores do Dubai” e como eles se têm mostrado ao mundo, a exibir uma suposta normalidade encenada de que, afinal, está tudo bem no emirado — se bem que se queiram pisgar. Há uma evidente Schadenfreude, uma aflição maquilhada de quem passou anos a vender a imunidade fiscal como se fosse uma virtude moral. A isso juntou-se um desprezo mais fundo quando começaram a chegar notícias de que muitos tinham deixado para trás os seus animais de estimação — uns no deserto, outros atados a postes, outros entregues a veterinários para eutanásia. Aqui juntava-se a fúria moral. O template com o emir no reel; o hashtag a garantir a segurança da cabeleireira britânica que foi para lá viver e fazer sabe-se lá o quê. O turista que poderá ficar preso por ter mostrado um drone num hotel a arder.
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