Ninguém lhes perguntou nada
Lara apanhou o autocarro escolar como em todas as manhãs e não chegou a entrar na sala. A madrasta esperava-a, levou-a para a serra da Padrela e asfixiou-a. Não havia entre as duas contas a ajustar. Foi morta para ferir o pai.
E não veio sozinha.
Em Santarém, dias depois, um homem com antecedentes de violência doméstica pegou na filha de quatro anos e lançou-se com ela de um oitavo andar, após uma discussão com a mãe, que assistiu a tudo.
Em Braga, uma investigação jornalística reúne denúncias de mães e profissionais contra um juiz e uma procuradora do Tribunal de Família e Menores, por decisões alegadamente parciais.
Três cenas diferentes. Um só denominador.
Em todas, a criança era o elo mais frágil. E em todas o interesse dela ficou em último lugar.
Quando o filho se torna arma
A morte de uma criança para magoar o outro progenitor tem nome: violência doméstica. Não é o efeito colateral de uma zanga de casal. É cálculo. Escolhe-se, a sangue-frio, a vítima mais indefesa. Mata-se um filho para ferir o outro. Porque é ali que dói para sempre.
Quatro crianças já morreram este ano em Portugal em contexto de violência doméstica ou familiar. Em menos de sete meses, 2026 tornou-se o ano mais mortal para menores desde 2019.
E o sinal estava........
