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O vício que passa nos intervalos

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17.02.2026

Se esta semana o legislador entende que é necessário proibir ou limitar o acesso dos menores de 16 anos a determinadas redes sociais, é porque finalmente se percebeu uma evidência: a exposição massiva e desregulada a determinados estímulos não é neutra. Forma comportamentos. Cria dependências. Molda expectativas. E, sobretudo, transforma fragilidades em mercados.

A pergunta que se impõe é simples: porque é que aplicamos esta prudência às redes sociais e continuamos a tratar o jogo como se fosse apenas entretenimento inofensivo?

Portugal não é, estatisticamente, o país europeu com maior taxa de jogo patológico diagnosticado. Mas é um país onde mais de metade da população adulta declara ter participado em algum tipo de jogo a dinheiro ao longo da vida. Entre os jovens, os números são particularmente inquietantes. Estudos académicos recentes apontam para percentagens muito superiores de comportamentos de risco em ambiente universitário, com uma fatia relevante de jovens a apresentar sinais compatíveis com jogo problemático. Não estamos a falar apenas de raspadinhas ocasionais. Falamos de apostas desportivas online, casinos virtuais, micro-apostas em tempo real, plataformas que funcionam 24 horas por dia, sete........

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