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Desenrola ou Desembucha?

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19.05.2026

O programa de redução do endividamento popular (com teto de R$ 15 mil) lançado pelo governo federal na semana passada, mais uma vez, divide o mundo em duas metades da laranja: do lado do “bem”, o governo e seus aliados; do lado da “bucha”, nós aqui, os pagadores de impostos e os endividados, que ficarão devendo por mais quatro anos. Esse é o novo prazo de ressarcimento do Desenrola, programa que aplicará fortes descontos ao valor atual das dividas, como explicado pelo novo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Na coletiva em Brasília, o ministro foi didático: primeiro, lembrou para a imprensa que, como estão, as dívidas “são impagáveis”; em seguida, mostrou uma tabela [ver quadro] em que detalha, por faixas de tempo decorrido de atrasos, quanto deverá ser abatido do valor da dívida total (principal mais encargos) de cada devedor, que pode ser uma pessoa física, uma pequena empresa, um estudante universitário [Fies] ou um pequeno produtor rural.

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Palavras contam. Quando o ministro se refere a “dívidas impagáveis” isso não é força de expressão. Durigan emitiu uma avaliação sobre o risco de crédito dos contratos do banco com seus devedores. A autoridade fazendária está afirmando, sem dizer, que o tal empréstimo “impagável” jamais deveria ter sido concedido – pela incapacidade financeira do tomador –, que o banco não se preocupou de avaliar – ou, então,........

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