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O ponto cego do amor

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29.06.2026

Um dos meus escritores favoritos é Dostoiévski, não por acaso, mas porque ele consegue fazer uma leitura da alma humana com extrema maestria, antevendo avanços que a psicanálise ainda levaria muitos anos para teorizar. No conto Noites Brancas, um homem solitário, que é chamado simplesmente de narrador, encontra, numa ponte de São Petersburgo, uma jovem de nome Nástenka e, ao longo de quatro noites de verão, oferece a ela presença genuína e toda a sua capacidade de amar. A jovem recebe aquilo com sincera gratidão e usufrui desse amor enquanto espera o retorno do homem que verdadeiramente ama. 

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A vida que escolhermos viver

Quando o passado continua no banco dos réus

Quando esse homem chega, Nástenka vai embora e o narrador fica na ponte, parado. O desconcertante do conto é que quando ela se vai, ele agradece a Deus pela ventura de ter vivido aquele afeto, e ainda por cima, pergunta em voz baixa se aquilo seria o suficiente para a vida inteira de um homem.

Esse não é bem o desfecho que se espera do........

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