Quiet firing: quando o racismo aprende a não dizer seu nome
Uma das maiores vitórias do racismo contemporâneo foi descobrir que ele não precisa mais dizer: "você está demitida". Afinal por que diria? Se há um jeito ainda mais perverso de fazer isso. Basta retirar a cadeira da reunião. Não responder ao e-mail. Não convidar para o projeto. Não mencionar seu nome quando surgem oportunidades. Não reconhecer um resultado que, se tivesse sido produzido por outra pessoa, seria comemorado em voz alta.
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Nos últimos anos surgiu uma expressão para isso: quiet firing, ou "demissão silenciosa". Eu chamaria de outra coisa: a arte institucional de expulsar alguém sem precisar dizer que está expulsando. O conceito descreve uma prática em que a empresa não demite formalmente um trabalhador. Em vez disso, torna sua permanência cada vez mais difícil. A pessoa deixa de participar das decisões, perde espaço, visibilidade e autonomia e, aos poucos, passa a acreditar que talvez seja ela o problema.
É curioso que esse fenômeno tenha ganhado nome justamente quando o mercado passou a discutir saúde mental e ambientes de trabalho. Mas quero fazer outra pergunta: será que, para as pessoas negras, isso é realmente uma novidade?
Quem tem uma trajetória marcada pelo racismo institucional sabe que a exclusão raramente chega acompanhada de uma declaração de intenções. Ela prefere os corredores. Os silêncios. As omissões. As justificativas vagas. Os "depois conversamos". Os........
