Quem o seu silêncio protege, Ludmilla?
Dizem que o indiferente é o peso morto da história. Assistindo à sua indiferença diante da violência racial sofrida por uma mulher preta como você, me vejo obrigada a concordar com essa afirmação. Eu me pergunto como você, que foi chamada de "macaca" em rede nacional por um jornalista racista, consegue circular publicamente ao lado de Rodrigo Branco como se nada tivesse acontecido.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Porque, se o racismo lhe causou dor, e causou, nós vimos, por que mesmo o racismo dirigido contra Thelminha e Maju Coutinho parece não produzir em você o mesmo incômodo? Essa pergunta não é sobre amizade. É sobre responsabilidade.
Gritaram-me macaca, e daí?
Por que as médicas brancas não são confundidas com bandidos?
Você não deve nada ao público sobre sua vida privada. Mas deve alguma reflexão quando sua vida pública comunica que uma condenação por racismo não é grave o suficiente para impedir vínculos afetivos, celebrações, likes e fotografias.
Há uma diferença enorme entre acreditar na possibilidade de transformação e oferecer absolvição social sem que a sociedade sequer tenha visto um compromisso consistente com a reparação. Nós, pessoas negras, sabemos que o racismo raramente acontece diante das câmeras. Ele acontece nas piadas, nas escolhas, nas oportunidades negadas, nos........
