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Os olhos de Inês

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10.02.2026

Ontem conheci Inês e seus três avatares. Ela quer um quarto avatar só pra ela e seus desejos mais íntimos. Inês é amiga antiga do Fábio, meu compadre, um visionário incorrigível.

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Inês conhecia a mente humana como poucos. Psiquiatra, professora, especialista em transtorno borderline — essa região sensível onde o sofrimento grita antes de saber falar. Inês passou a vida escutando dores alheias, ajudando pessoas a organizar o caos interno, a nomear o indizível, a encontrar frestas de sentido onde só havia ruído.

Então, aos 53 anos, o corpo lhe impôs silêncio. Há prisões que não têm grades, nem muros, nem carcereiros. Há prisões que começam no corpo — esse território que julgamos nosso até o dia em que ele nos impõe limites.

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) não pede licença. Ela chega como um apagamento progressivo: primeiro a força, depois o gesto, depois a voz. O corpo vai se tornando um território ocupado, centímetro por centímetro, até restar um último lugar livre — os olhos e a mente. Dois pontos de resistência. Dois sobreviventes.

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Inês está hoje completamente paralisada. Não anda. Não fala. Não escreve. Não move as mãos que ensinaram. Não move os lábios que explicaram a dor psíquica de gerações de alunos e beijaram seus filhos. Mas pensa.........

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