Eu não sou cachorro, não
Clássico de Waldick Soriano, considerado o brega dos bregas. Mas o homem tinha um vozeirão. Cantava pra caramba, numa época em que recurso tecnológico era basicamente garganta, pulmão e coragem. Ele cantando Tortura de Amor é impagável — sofrimento legítimo, sem filtro e sem pudor.
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Mas por que lembrei dele e dessa música hoje?
Fui vencido pelo cansaço. Resisti enquanto pude à ideia de ter um cachorro em casa. Argumentei, racionalizei, invoquei higiene, epidemiologia e até zoonoses. Mas minha esposa não resistiu aos olhos doces de Sushi. Foi seduzida à distância pela magia das redes sociais — esse lugar onde se vende tudo, até afeto embalado para viagem.
Minha namorada iraniana
O catalisador de sonhos
Minhas filhas, que já vinham cultivando esse sonho há tempos, deram apoio irrestrito. Democracia familiar é isso: você vota, perde e ainda paga a conta. Quando percebi, o cão já estava vindo de Porto Alegre num ônibus-canil que cruza o país distribuindo filhotes como quem entrega uma encomenda frágil. Um dog delivery em alto estilo. Não me perguntem quanto custou. Preservo, por instinto de sobrevivência, certas ignorâncias.
A família inteira foi recebê-lo. E confesso: o danado é bonitinho. Uma mistura improvável de salsicha com poodle, com olhos de uma doçura quase indecente. Até eu, que estava firmemente contra, fui conquistado. O bicho não se impõe — ele se insinua.
Mas a realidade, como sempre, não aceita idealizações. O........
