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Esgotamento pós-folia: por que o cérebro parece 'travar' após o carnaval?

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21.02.2026

Na maioria das cidades, o carnaval acabou; por aqui, ainda teremos bloquinhos neste fim de semana. Mas o que quero abordar aqui é o que ocorre com os foliões quando a folia acaba. O fim do carnaval marca uma mudança repentina entre os dias de sono irregular, consumo elevado de álcool e intensa estimulação física e social para uma rotina que exige foco, produtividade e disciplina.

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Para muitos, o retorno ao trabalho vem acompanhado de cansaço excessivo, irritabilidade e insônia, sintomas frequentemente atribuídos à “preguiça”, mas que possuem bases fisiológicas e emocionais.

Segundo o neurologista Lucio Huebra Pimentel Filho, do Hospital Sírio-Libanês, o cérebro atravessa o carnaval em estado de hiperalerta, com aumento na liberação de dopamina e adrenalina, pouco repouso e baixa previsibilidade. Quando a rotina profissional recomeça, ele ainda opera nesse modo acelerado, enquanto as demandas passam a exigir silêncio, atenção sustentada e imobilidade.

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Diferentemente do desgaste típico de uma semana comum de trabalho, o esgotamento pós-folia é resultado do acúmulo de excessos físicos e sensoriais. “Há esforço corporal intenso, longos deslocamentos a pé, horas de dança, além de privação de sono, consumo elevado de álcool, hidratação inadequada e exposição contínua a ruídos e estímulos visuais”, complementa o médico.

O problema, segundo dr. Lucas, é que o organismo não encontra tempo nem condições ideais para se recuperar, porque é durante o sono que ocorre a reposição de energia, e o álcool compromete diretamente a qualidade desse processo.

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Outro fator decisivo nesse período é o chamado jet lag social, caracterizado pela quebra de sincronização entre os horários de dormir e acordar nos dias de folga e aqueles exigidos pela rotina de trabalho. O neurologista diz que a tendência a dormir e despertar mais tarde durante o feriado dificulta a adaptação quando, de um dia para o outro, é preciso antecipar o horário de descanso. O sono responde melhor à regularidade.

Além da desorganização do relógio biológico, o carnaval representa um pico de estímulos ligados ao prazer. Dr. Lucas explica que existe uma intensa ativação de circuitos associados à dopamina e à serotonina. Com a interrupção abrupta desse cenário, ocorre uma queda relativa desses neurotransmissores, o que pode se traduzir em apatia, melancolia e redução da energia. Na maioria dos casos, o organismo se ajusta em poucos dias.

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Queixas físicas, como dores de cabeça recorrentes, tontura, alterações intestinais, palpitações, tensão muscular e náuseas são comuns nessa fase de retorno e tendem a ser passageiras. O médico orienta que esses sintomas costumam diminuir com sono regular, repouso adequado, alimentação equilibrada, hidratação e abstinência alcoólica.

O sinal de atenção surge quando o abatimento e a exaustão se prolongam e passam a comprometer o desempenho profissional e a vida pessoal. O burnout não decorre de uma readaptação difícil após um feriado, mas de uma exposição prolongada à sobrecarga e estresse crônico.

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Para reduzir os efeitos da chamada “ressaca pós-carnaval”, a orientação é retomar a rotina de forma progressiva. Estabelecer horários previsíveis, buscar exposição à luz natural pela manhã, praticar atividade física aeróbica, fazer pausas ao longo do expediente e moderar o consumo de cafeína ajudam o cérebro a recuperar foco e clareza mental.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.


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