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Opinião | O pau está quebrando no México. Essa é a história

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24.02.2026

México teme mais violência após exército matar líder do poderoso cartel de Jalisco

Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como ‘El Mencho’ foi morto no domingo, 22;. Crédito: Jay Baer via Storyful/SNTV/AP

No último domingo, soldados mexicanos mataram um sujeito chamado Nemesio Oseguera Cervantes, mais conhecido como El Mencho, numa cabana nos arredores de Tapalpa, cidadezinha turística no interior de Jalisco.

El Mencho era o fundador e líder do Cartel Jalisco Nueva Generación, organização criminosa que a DEA já descreveu como a mais poderosa do México.

Todas as fotografias conhecidas dele tinham décadas – tamanho o nível de clandestinidade em que ele atuava. Havia uma recompensa de 15 milhões de dólares sobre a sua cabeça.

A intenção dos militares era capturar El Mencho vivo. Mas ele foi ferido no tiroteio e acabou morrendo.

Em poucas horas, pistoleiros do Jalisco Nueva Generación incendiaram veículos, bloquearam rodovias e atacaram forças de segurança em mais de 20 estados do México. Guadalajara, capital de Jalisco, virou uma cidade-fantasma. Vídeos mostram turistas correndo em pânico pelo aeroporto de Puerto Vallarta. A embaixada dos Estados Unidos mandou os cidadãos americanos ficarem trancados onde estivessem. A embaixada chinesa fez o mesmo.

Um balanço oficial contabilizou mais de 250 bloqueios em 20 estados. Pelo menos 70 pessoas morreram desde então, incluindo 25 membros da Guarda Nacional. Um líder do cartel chegou a oferecer mais de mil dólares por soldado morto.

O Cartel Jalisco Nueva Generación nasceu por volta de 2009 como uma dissidência do Cartel de Sinaloa. Sob o comando de El Mencho – ex-policial e ex-agricultor de abacate de Michoacán –, o grupo se transformou numa máquina de guerra com presença em pelo menos 21 dos 32 estados mexicanos e operações em mais de 40 países.

A receita do grupo não vem só do comércio de drogas. O cartel toca um portfólio criminoso bastante diversificado: não apenas tráfico de fentanil, cocaína e metanfetamina, mas extorsão sobre fazendeiros e comerciantes, roubo de combustível, contrabando de migrantes, mineração ilegal, fraudes imobiliárias e tráfico de armas. O grupo hoje tem uma grande influência no Porto de Manzanillo, em Colima – o principal ponto de entrada de precursores químicos vindos da Ásia para a fabricação de fentanil na........

© Estadão